O amor da minha vida

Era uma vez um rapaz apaixonado por uma garota. Mas como ele era muito acanhado, não tinha coragem nem de chegar perto dela. O máximo que saía da sua boca era um “oizinho” xoxo bem de longe acompanhado de um sorrisinho amarelo. E mesmo assim ficava rubro como um tomate.

Ele sonhava em cumprimentá-la com beijinhos no rosto, de ser solícito, de falar sobre sua vida, dos filmes que mais gostava de assistir na Sessão da Tarde, de falar sobre seu talento… Mas faltava-lhe a bendita coragem. Sem coragem, sem beijinhos e sem uma aproximação mais calorosa. E isso o deixava muito, muito frustrado.

Eis que, numa bela e estrelada noite quente de verão, sua casa é invadida por bandidos armados, encapuzados, violentos e mal educados. Entraram em sua casa sem serem convidados; meteram aquela pistola 765 na cara da mamãe e mandaram ela se ajoelhar e depois se deitar no chão e fechar os olhos. Fizeram o mesmo com o papai. E com o Jr também. O Bóris, um labrador, havia morrido de morte morrida dois dias antes da invasão. Uma lástima. Se Bóris ainda estivesse vivo… Arrancaria os olhos dos bandidos numa só mordida, assim ó rrgsgsrgsgssrrr! E morderia as mãos e os pés dos infelizes, assim ó rrrgggsggsggr! Ah! Bóris Bóris… quanta saudades! (suspiro). Mas o cão não estava lá e foi assim que aconteceu.

Quando enfim o bandido mal caráter encostou aquela pistolona gelada na cabeça do nosso herói apaixonado, mandando que ele se deitasse no chão e fechasse os olhos, pronto! Minha vida passou pela minha mente como num filme? Não! Rezei Padre Nosso? Não! Chorei? Não! Pensou nela. Na Fulana. E também pensou em sua covardia, em como iria morrer sem ter ao menos tentado falar com ela a uma distância mais próxima que não a cento e cinquenta metros e, o pior, pensou que iria morrer sem ter tentado! E já estava se arrependendo de não ter tido coragem de ter coragem, e já estava se entregando á vitória do maligno, e sentia a Morte fungando seu cangote quando, derepente, o bandido disse:

– Senta no sofá e cala a boca.

Foi um alívio. Os bandidos fizeram o que tinha de ser feito e foram embora. E o nosso herói ficou sentado no sofá pensando em tudo o que tinha acontecido. Porque o filme ainda não tinha acabado.

Dias depois, o protagonista da nossa história reuniu coragem suficiente para falar com ela cara a cara, tipo a um metro, um metro e meio de distância. E não gaguejou mais. Na verdade ele foi muito direto:

-Quero dar um beijo na sua boca AGORA! 

E conseguiu. E ficou com a Fulana várias vezes.

Parece que quando nos encontramos na beira de um precipício, á beira da morte, o primeiro pensamento que nos vem a cabeça é o do amor da nossa vida. Seja ele quem for. Ou o que for. Um pedido de desculpas que você não deu áquela pessoa ao qual você brigou ontem, uma declaração de amor que ficou só na imaginação, tinha dinheiro para comprar a bicicleta para sua filha mas não comprou, preferiu esperar mais um pouco, não se despediu do seu pai porque ele estava bêbedo… Enfim, o fato é que devemos prestar mais atenção ao dia de hoje, reunir forças, ter coragem de enfrentar esse dia, de abrir o presente e encarar de frente o que você vai encontrar lá dentro do pacote.

Dedique cada dia ao amor da sua vida.

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