Ser mãe

Antes de qualquer coisa, quero deixar bem claro que, apesar do título, esse texto não tem nada ver com um depoimento sentimentalista em relação ao Dia das Mães ou algo parecido.

Eu a conheci na casa do primo dela. Não me encontrava nos meus melhores dias, não que eu menstrue ou passe por TPM, é que há muito eu vinha caminhando pelo deserto em busca da tão sonhada Terra Prometida e ainda não a havia encontrado e já estava de saco cheio de andar, andar e andar pelo deserto e não encontrar absolutamente nada. E ainda continuo a caminhar. Não encontrei a tal terra.

O procedimento para conhecê-la foi padrão. Igual ao que qualquer pessoa usa para conhecer outra. Perguntas triviais, clichês, coisas do tipo “Oi tudo bem prazer sou fulano e você, quial o seu nome? nossa! que nome bonito! trabalha? não? estuda? tambem não? ah! eu faço isso e aquilo e estudo logo ali, o que eu estudo? coisas, estudo coisas, namora? ah, solteira eu tambem, solteiro, mas ja fui casado, tem filhos? três? maravilha! eu tenho só um, isso, menina, ah! você tem três filhos homens, que maravilha!, que tal uma cervejinha? ah, não bebe, fuma? tambem não, que ótimo! melhor assim né, economiza uma grana, eu fumo e bebo, até demais e blábláblá.” E como manda o figurino, ao final da entrevista, troca de números de telefone.

Liguei pra ela na terça-feira. Marcamos um encontro. (Caros leitores. Peço desculpas pela falta de originalidade mas quando se trata de paixão, sexo, tesão, amor e coisas do gênero, é tudo chavão, clichê e lugares-comuns.) Nos encontramos num evento na sexta a noite. Ia rolar um filme de graça (eu como sempre sem grana) mas não aconteceu evento algum por causa de uma quase epidemia de gripe A, gripe suína, H1N1 e quantos nomes tiver essa tal de gripe e, por uma questão de prevenção, os organizadores acharam melhor evitar aglomeração de pessoas para não disseminar o vírus. Fomos para a minha casa.

Como não tenho habilitação e não tenho carro, caminhamos até a minha humilde residência que para mim era o meu cxastelo. Para você é só uma residência. Do centro da cidade até onde eu moro deve ter uns quatro, cinco quilômetros. Hoje penso que ela deve ter realmente gostado de mim, porque, para me acompanhar numa caminhada de cinco quilômetros… não é fácil. Ás vezes eu me odeio de ter que andar e andar e, se pudesse, me divorciaria de mim mesmo, no meio da caminhada.

Em casa teve beijos, abraços, conversas, mais beijos, mais abraços, café, cigarro (pra mim), depois cama e… Já sabem o resto. No dia seguinte, fui na padaria comprar pão. Ela não quis um pão com margarina e café (sem leite). Daí teve mais conversas e mais beijos e mais cama. E foi assim o dia todo. A noite perguntei a ela, apenas por curiosidade, qual era seu sonho, se ela tinha algum objetivo na vida e tal. Ela me respondeu que o maior sonho da vida dela, que o objetivo de vida dela era cuidar de seus filhos. Ser mãe é o grande sonho dela.

Durante a madrugada, depois de um foda gostoso ela vei com um papo estranho. Não sei que tem não sei que lá Lucas.

– Mas que Lucas?

– Nosso filho, ué!

 – Mas você não usa DIU?

– Uso, mas existe uma possibilidade de vazar. Não é cem por cento seguro.

Queria dizer que eu transei feito um cavalo. Modéstia a parte. Dias depois veio a confirmação.

– Estou grávida.

Ela tinha tanta vontade de engravidar que acabou acontecendo. E ainda queria me culpar! Como se eu fosse o único responsável.

A última vez que nos encontramos ela já estava com cinco meses de gravidez. Tivemos uma leve discussão. É que eu havia marcado de sair com ela mas surgiu um imprevisto e daí ela ficou brava. Depois disso, nunca  mais nos encontramos.

Hoje, passados mais de nove meses, o Lucas não veio ao mundo. No lugar dele veio a Maria Clara. (E ela que queria tanto um menino!)

No fim, acho que servi apenas de macho reprodutor, um simples instrumento de procriação. Mais barato que fertilização in vitro.

Não sei como ela está hoje. Nem vi a criança. Pelas informações que obtive, as duas estão passando bem. Mas é bom eu ficar esperto com esse planeta. Ele gira, não para de dar voltas. E um dia nós nos encontraremos de novo.

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