As polêmicas células tronco

O parágrafo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil reza, entre outros termos, o direito a vida. Neste ínterim, permitiu-se a pesquisa com células troncos embrionárias, aqui no Brasil, mediante algumas restrições: que os embriões estejam inviáveis ou que estejam congelados há mais de três anos. A pesquisa, desenvolvida pela equipe do Prof. James A. Thomson, da Universidade de Wisconsin, EUA, cujo conteúdo fora publicado pela primeira vez em 1988, tem causado inúmeras discussões entre médicos, estudantes de medicina, filósofos, sociólogos e membros da Igreja de todo o mundo ocidental. Os argumentos são vários. Mas a questão é somente uma: onde se encaixa o direito a vida, o direito de ser – humano?

            A clínica Dignitas, em Zurique, Suíça, “comercializa” a morte por meio de outra técnica (caso possamos denominar tal ato) – o suicídio assistido. Com ajuda de barbitúricos o “paciente”, acometido, na maioria dos casos, por uma doença incurável e que gradualmente o deixe inútil pelo resto da vida no sentido lato da palavra, pode se submeter a uma ajuda, a um “empurrãozinho” para expirar. Esta ajuda é o consentimento de médicos, voluntários (no caso funcionários da clínica) e parentes da “vítima” (vítima de si mesmo). Essa prática mórbida é legal não só na Suíça, mas também na Bélgica e em dois estados norte americanos.

            Se o suicídio assistido e a eutanásia podem ser considerados uma prática natural logo, sob a ótica da ciência biológica, a doação de óvulos e espermatozóides humanos a fim de gerar em laboratório embriões para extrair células troncos com o principal objetivo de curar diversas doenças e salvar vidas seja, também, algo natural e benéfico. Não podemos nos furtar de que haja interesses financeiros por parte de algumas clínicas e alguns laboratórios tornando esta prática algo comercial e, nesse caso, podemos classificar como uma afronta a ética e aos valores humanos. Segundo a afirmação de Claude Bernard em 1852 “O princípio da moralidade médica e cirúrgica é nunca realizar um experimento no ser humano que possa causar-lhe dano, de qualquer magnitude, ainda que o resultado seja altamente vantajoso para a sociedade.”

            As células tronco podem ser extraídas de outras fontes que não de embriões: da medula óssea e do cordão umbilical por exemplo. Assim não estariam [os pesquisadores] ferindo nenhum preceito ético – considerando que a doação de sangue é (também) um ato solidário, cidadão.

            Enfim, as doações de sangue, de medula óssea, de células tronco não podem diferir da doação do direito a escolha de um indivíduo, cuja vida fora abreviada por uma doença letal, de viver ou de morrer, uma vez que o próprio indivíduo como pessoa e cônscio de suas atitudes pode e deve decidir se doa ou não seus órgãos, se doa ou não seu sangue e se doa ou não o prolongamento do seu sofrimento a parentes e amigos mais próximos. Este mesmo indivíduo pode também decidir em que e em quem acreditar podendo ou não, segundo suas crenças, executar tais ações. E a Igreja não possui mais o poder de interferir em decisões pessoais que não por meio de sugestões. Tais pessoas estariam de acordo com uma das cláusulas dos Direitos Humanos – o direito a escolha.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s