Encontros

O filme “Encontrando Forrester” ( 2000, direção de Gus Van Sant) aborda um tema comum presente em muitas obras literárias e também no cotidiano: a conjunção dos opostos. A dualidade é o eixo central deste drama estrelado por Sean Connery ( Willian Forrester) e Rob Brown ( Jamal Wallace).

Jamal Wallace, um adolescente de classe baixa, de aproximadamente dezesseis anos, possui grande habilidade para o basquete e um talento para a escrita. Willian Forrester, considerado o maior romancista do século XX, escreveu apenas um livro e vive recluso em um apartamento na periferia de Nova York com o dinheiro que recebe da venda de sua obra. Essas duas personagens formam uma antítese: o velho com o novo.

Não se trata apenas de um encontro entre um garoto simples e pobre com um escritor renomado. A proposta vai mais além. É o encontro de si mesmo por meio do outro: Jamal descobre que seu verdadeiro sonho é ser escritor e não jogador de basquete e Forrester descobre que pode vencer a sua síndrome do pânico e volta, gradualmente, a realidade e descobre que além de seu apartamento há um novo mundo a ser explorado. É a história de um chocando-se com a história do outro.

Há outras evidências de “encontros” no decorrer da película em que o enredo está basicamente estruturado: a pobreza com a riqueza e o fracasso com o sucesso
A pobreza e a riqueza dão-se no momento em que Jamal é aceito em uma escola elitista. Nesse ínterim, Sant explora sutilmente o preconceito, tanto étnico-cultural como sócio-econômico, em que se encontra a personagem.

Outro recontro, o fracasso com o sucesso, acontece quando o professor de Literatura, Robert Crawford, frustrado por seu livro ter sido recusado por uma editora, se depara com Forrester. Há certa rivalidade entre Crowford e Forrester, rivalidade implícita no filme, mas que demonstra uma ideia um tanto maniqueísta ( bem versus mal ). Levando em consideração que a personagem atua como vilão do drama, é natural que haja certo “ressentimento” em relação ao “herói” da história.

Essas três antíteses, tão bem trabalhadas pelo diretor, propõem uma reflexão sobre identidade, preconceito e orgulho. Muitas vezes nos deparamos com questões como “o que vou fazer da minha vida?”, “será que eu tenho talento?”, “qual carreira vou seguir?”. É uma busca constante pelo eu que conduz o indivíduo na formação da sua identidade e da sua personalidade. São esses encontros, ora casuais, ora propositais, que nos possibilita explorar mais o eu e conhecer melhor o outro. E nesta troca de conhecimentos também aprendemos a lidar com as diferenças, aceitando-as ou tolerando-as.

O relacionamento entre Jamal Wallace e Willian Forrester compõe uma metáfora sobre a construção da identidade, faz um apanhado geral sobre confiança, amizade e estima, elementos necessários para que se possa desenvolver com segurança o caráter, e nos faz refletir sobre quem somos e para onde vamos. “Encontrando Forrester” representa os vários encontros que a vida nos proporciona.

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